quarta-feira, 18 de abril de 2012

Life is bigger than you

Seria mais fácil me afundar em bocas suaves de terrenos continentais.
Seria mais fácil beijar o néctar satírico dos faunos do meu próprio jardim.
Seria mais fácil quebrar a lâmpada com um estilingue velho de jovens avôs.
Seria mais fácil organizar todas as pílulas pela ordem alfabética do nome de suas cores.
Seria mais fácil desconsiderar qualquer tese refutada pela sua antítese que fez limpo o limbo do meu próprio desespero.
Seria mais fácil regurgitar a fumaça branca que tragá-la para dentro de mim. Ou trazê-lo para perto de mim.
Seria mais fácil não pintar as unhas de vermelho e apenas esperar que elas fiquem amarelas, apodreçam e caiam.
Seria mais fácil se eu fosse mais difícil. Se eu fosse mais difícil, ah, como tudo seria mais fácil.

5 comentários:

Cochise César disse...

Não devia escrever um comentário no momento que debato sublimação e outras mecânicas de libido, mas...

Interessante o poema todo ser construído em cima da estrutura dialética hegeliana, não apenas nos versos, mas na estrutura título/mote, poema/glosa fechamento/chave, apesar da chave não possuir uma clara separação do corpus. Poderia até dizer que foi escrito em busca da Verdade, mas isso seria presunção demais.

Talvez a polissemia de "difícil" seja a Pedra de Rosetta para decifrar o texto. Decifrar a síntese alcançada. Talvez seja, por outro lado, necessário decifrar a tese/mote, no qual a referência do "you" é o aspecto dominante.

No mais, as metáfora antitéticas são todas muito boas e sua quantidade a medida certa para sua proposta.

Bo'jornada.

Anônimo disse...

Creindeuspai... Esse aí é mais complicado que tirar bicho de pé de cachorro...
Gostei do texto Marielle.
Seu admirador "secreto".

O Sexo e a Idade disse...

Amei o post mas fiquei até com medo do comentário do Cochise...Vou levar um mês a processar tudo o que ele disse!

Cochise César disse...

Como eu disse, não devia postar o comentário enquanto discutia mecânicas de libido.
Normalmente faço comentários mais poéticos que analíticos.

Themistocles Silva disse...

Não tendo eu a dialética do comentarista ao lado, digo que gostei muito como sempre, de algo que sai do lugar comum.

amenizo e descontraio com uma homenagem ao dia das mães:

http://claquethemis.blogspot.com.br/2012/05/minha-mae-cornelio-penna.html

abraço do seu seguidor