domingo, 8 de janeiro de 2012

Noite densa que termina

A noite densa, tensa, intensa, que nunca mais se calou perante os olhos furiosos daquele que a observara sedento de carne e faminto de pus. Faminto de pulso. Faminto de impulso.
Expulso de Valhala, temia nunca mais regressar e passou a contar mares e mastros até chegar onde o fruto proibido não é mais gostoso por não ser pecado. Não era pecado. Mas o resto era.
O resto era, o resto que erra, o resto que teme a certeza da razão e se esconde em colinas de gramas macias de casas que abrigam gente pequenina.
Eles não vão mais voltar, a lua observa. Observa e conserva seu rosto voltado para a conversa dos homens bons de cor e ação.
A noite densa termina e ninguém se lembra de esquecer a penumbra do chá, que já está frio.
Ninguém bebeu, e os lábios trêmulos buscavam erva mais verde e mais líquido e mais sangue e mais colinas de gramas macias de casas que abrigam gente pequenina na noite densa que termina.

Um comentário:

raylsonbruno disse...

Poético, poético... tive que ler umas 5 vezes para entender que não é um texto para ser entendido ou decifrado e sim sentido... Senti e gostei! ;)