quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Dissidentes

Pílulas e livros, enclausurados em propostas inaceitáveis.
Canetas amarelas colorem o cabelo dela e me chamo Envy desde então. 
Ela tem aquele olhar (Scarlett O'Hara), mas é meio psicótica. Não tem problema, eu a invejo mesmo assim.
Te observei de longe e percebi que o caminho era longo e tempestuoso, mas os Beatles já cantaram sobre isso, então não deve ser assim tão difícil.
Pedais de bicicleta não fazem som, mas me levam pro lado de lá, onde as caras são mais bonitas e posso escolher meu próximo amorzinho.
Sem primeiras chances, só passo de segunda ou de terceira. Sangue e mel e complexo de Estocolmo.
Me prenda e me espanque, assim eu não te deixarei.
Ela te deixará, mas eu não te deixarei.
Tem poeirinha nas minhas mãos e minha garganta é seca. Mas minhas entranhas são úmidas de pântano, de pânico.
Por favor, me mostre como chegar lá. Os outros podem passar, mas eu vou indo pelas beiradas, pela margem, pela favela.
Vale tudo para chegar até o seu vale. Cálice.
O shamisen sorri e diz: "hajimemashite". Eu apenas olho e sorrio com a ponta do nariz. Fungando,  farejando, caçando seu som.
Olha só, as cenouras estão tortas e o passarinho não consegue cantar. Eu gosto de parques de diversão.
Eu não estou louca, estou apenas de boa. Toque sua guitarra e vamos ficar em silêncio.
Você sabe que eu prefiro o baixo, mas estou alta demais.
Sei que você tá sozinho, mas talvez você não queira estar depois de ver aquele rabisco na sua agenda.
A maçã só tem lixo dentro dela, mas continua oca e podre e transparente e linda.
Eu não queria ir embora, mas tenho que trabalhar e você tem que começar a me amar logo. Então eu vou embora.

2 comentários:

Pedro disse...

Gostei. Denso sem ser chato. Inteligente sem antipatia. Pessoal sem dar preguiça.
Só um problema (meu): Agora vou ter que passar a tarde lendo seus outros posts em vez de trabalhar.

Isabela disse...

Se te significa algo: gostei. Do blog, das cores, das palavras...gostei.