sábado, 24 de setembro de 2011

Limpa

Limpa. Limpa de corpo e alma. Limpa de tudo. Estou nula.
De volta ao estado centígrado de temperatura ambiente. Estou pecilotérmica, exotérmica. Vou indo com o redor e meu sangue não pulsa mais por algo que está dentro dele. Estou meio anfíbia.
É interessante perceber, em um estalo, que já não existem lembranças que sustentem um mundo homeotérmico. Já não me lembro mais do seu rosto, da sua voz. A memória parece longe, parece dançar na alvorada de bem distante. Sem copihues de Neruda, sem copihues.
Não sinto raiva, não sinto esperança, não sinto nada. Apenas me lembro que um dia senti. Pois a memória é mais forte que o esquecimento, e a palavra permanece - diferente de seu significado. Portanto respeito tudo que pensei, embora a passagem seja superior à permanência quando não existem mais estímulos. E sem estímulos que me habilitem, vou voltando ao estado zero. E por mais que oceanos pacíficos não me agradem, é preciso – nessa vida em ondas – passar por ele para se chegar a águas mais profundas. Águas de talassociclo. Águas que turbilhonam. Águas que me interessam.

3 comentários:

raylsonbruno disse...

Agora, recomeçar...

Um brasileiro disse...

oi moça. estive por aqu dando uma olhada. interessante. gostei. apareça por la. abrçaos.

Izabel Garcia disse...

àguas que me agitam.