domingo, 11 de setembro de 2011

Carnavalesco (03/2011)

Sentada há mais de uma hora no chão de madeira, cujo barulho estridente tanto me provocou sensações nesses últimos dias.
Um Woody Allen perfeito? Talvez sim. Teoricamente sim. Hipoteticamente sim. A profusão de luzes e cantos e cheiros deixaria qualquer outro Woody Allen ardente de inveja.
Mas a tensão nem sempre compensa. O crime nem sempre compensa.
Eu conheço meu lugar, e sei que não é este que me foi imposto. Meu legado é maior que um chão duro, um vôo perdido e um coração apertado.
Choro. O turbilhão de energia corre nervoso nas lágrimas de escape. Não sei mais o que fazer. Eu escreveria um bilhete simplório, mas cuja ironia salta aos olhos, sairia pela porta da frente sem ninguém notar, faria uma ligação e iria embora.
Mas o Woody Allen não seria Woody Allen se fosse tão arquitetado assim.
Não sei o que fazer (e se eu parar de escrever é porque houve uma necessidade súbita de me decidir)
Acho que vou ficar e esperar mais um pouco. Ainda tenho fé nas pessoas e talvez eu realmente deva parar de ter.
Mas eu prometo, a partir de hoje, me colocar no meu lugar. Parar com essa de deixar  o rumo correr.
Estou com medo agora. Alguma coisa não está bem e eu sinto isso.
Meu coração assume seu pico desde os últimos dias. Acho que já perdi o meu vôo e acho que já perdi minha paciência.
Mas sou tão cuzona que vou continuar aqui, esperando alguma coisa acontecer. E sempre deu certo. Só posso confiar que isso se mantenha, ainda mais agora quando o desespero me toca a boca.
As folhas da palmeira devem estar rindo de mim agora (essa foi a primeira frase que decidi escrever quando decidi que escrever seria a melhor distração)
Dei risada de tanta coisa que agora me parece tão fútil e insossa. Talvez os neuro-modificadores tenham me sustentado aqui. E eu nem sabia que podia lidar com eles de forma tão tranquila. Talvez eles tenham percebido a minha aflição e resolveram me ajudar. Acho que vou indo. Vou tentar.

(after all)

Só para falar que estou viva. E tudo deu mais ou menos certo, na parte bruta da coisa.
Ele é um dos homens mais estranhos que já conheci em toda a minha vida e sinto que tudo, o começo, o meio e o fim, foram uma coisa só e se resumiram àqueles momentos ali. Agora resta enfrentar os outros monstros e manter a calma para manter a postura.
Ele poderia ter me tomado de meu mundinho frívolo e sem graça e me levado ao mundo dele: excitante, superficial e amedrontador.
Ele saiu mais baixo que a encomenda e em alguns momentos nem o mínimo foi feito. O visceral foi posto em primeiro plano. Mas e os apêndices? Afinal, que sou eu além de puro apêndice? Eles me parecem apetitosos agora, como a colcha quente nas noites frias e o bolo de fubá nas tardes vazias.
E voltando ao tópico de fé nas pessoas, torno a me atestar estúpida ao dizer que aguardo uma consolação. Uma retaliação. Sei lá, um simples pedido de perdão.
Aqui não tenho ninguém com quem me deitar no leito noturno e nem no tapete riponga, mas me sinto mais acolhida. Aqui, ao menos minha consciência me acolhe, tornando tudo um pouquinho (ou muito) mais leve.
Que tal voltar a se divertir com os o-dores da paixão puramente platônica?
Sinceramente, estou começando a achar que o universo presta atenção demais ao que eu peço. Mas também ele me cobra isso depois em formas de pagamento subjetivo com juros na parcela. Sempre peço para pagar parcelado ao destino.
Nem sempre ele aceita, mas geralmente sim. Ele gosta de mim e eu sinto isso. O que me falta é o discernimento de até que ponto é recomendável retribuir esse amor e aceitá-lo em sua plenitude.
Não discutir com o destino é coisa de Paulo Leminski, eu preciso aprender a dizer “não” à concretização dos meus próprios desejos.
Estou indo para casa agora e você é a única testemunha de toda essa luta mental que travei até agora. E que daqui a pouco vai voltar.
Mas acho que essa que passou já foi, de longe, bem maior que a próxima.

Um comentário:

raylsonbruno disse...

... espero que a próxima luta mental, não seja de maneira alguma menor que essa... é dessas batalhas que resultam os bons resultados em nós... é nestes momentos que expomos nossos demônios, encaramo-os e os enfrentamos ou cedemos a eles...