segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sobre pontos e linhas e o sentido da vida

Minha vida não é uma linha contínua. Minha vida, aquela que realmente importa, nada mais é que um conjunto de pontos aleatórios distribuídos pelo meu tempo e espaço.
Cada um desses pontos representa um daqueles momentos que, se você acompanha o que escrevo, costumo chamar de: Dias Woody Allen. Se você não acompanha o que eu escrevo, acredito que o nome seja auto-explicativo.
Acontece que, existem algumas fases na minha vida, que esses momentos ficam muito distantes entre um e outro, e nesse abismo em caos que é o espaço entre esses dois tempos específicos, eu me perco.
Eu me perco e começo a simplesmente parar naquele vazio e simplesmente esperar pelo próximo. Graças a alguma força, o próximo nunca costuma demorar muito. Sei lá o que eu fiz pro destino para ele ser tão simpático comigo, só sei que ele é.
De qualquer forma, o fato de atribuir a razão da minha vida a esses momentos tem me feito questionar a perenidade da minha satisfação própria.
Me tornei dependente do inacreditável. Minha vida não faz sentido algum se não for muito mais que a maioria das vidas tradicionais. Muito mais.
E não é desprezando a vida dos outros, é só supervalorizando a minha, mesmo. E eu até acho que estou em meu direito ao fazer isso, porque convenhamos, posso não ser a rainha do improvável, mas muita coisa já aconteceu na minha vida, no meu mundinho, no meu limitado campo de ação, que deixaria qualquer um que soubesse de tudo isso, no mínimo, levemente interessado.
Mas eu quero mais. It’s got me addicted, you know…
Eu preciso da incredulidade alheia. E mesmo que o alheio seja apenas eu, perdida em meus pensamentos, preciso de um pilar quando nada mais me sustentar. Como se eu sempre pudesse me apoiar em certos momentos e pensar o quanto isso tudo aqui valeu a pena, sabe?
E são esses momentos. Esses pontos aleatórios distribuídos pelo meu tempo e espaço. A minha linha contínua da vida? Essa não importa. Porque uma linha não se sustenta quando é cortada, mas os pontos são auto-suficientes. Os pontos permanecem. Os pontos são únicos, infinitos, intocáveis. Pontuar é preciso, alinhar não é preciso.



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