segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Te chamo de erro


Pode até ser um erro meu.
Mas foi o que eu disse há um tempo atrás, por aqui mesmo: "se eu te chamar de erro, poderá ser o melhor elogio que você ouvirá de mim em toda a sua vida".
E eu tenho um talento tão grande para pressentir (e por que não, desejar) os erros, que realmente creio que cada um deles irá se concretizar exatamente da forma como temo (e por que não, desejo).
E assim como a pequena Chiyo salvou em seu peito o lenço com o ideograma da Iwamura, e destinou cada passo de sua formação em gueixa, eu destino cada ação mesquinha e quotidiana a esse único e mais recente (talvez nem tanto) erro ao qual me disponho.
E me disponho sim, caso exista essa dúvida em seus pensamentos. 
Audaciosa, um dia pretendo, quando já Sayuri, saber que cada passo foi dado em cima da corda, que a cor de cada quimono foi escolhida corretamente, que as palavras sutis e bem selecionadas, por vezes dirigidas a outrem, foram ouvidas pelo verdadeiro destinatário, compreendidas e admiradas.
Pode até ser um erro meu.
Mas é o erro que mais quero cometer atualmente. Traduzo os meus sonhos eliminando conceitos junguianos, eliminando conceitos freudianos, eliminando qualquer conceito alheio à verdade óbvia que salta aos olhos com brilho e contraste aumentado. Eu quero.
Erra junto comigo.
Viaja no meu erro, tira o singular do pronome e esquece um pouco as convenções. 
Não é exagero, é insanidade. Não é loucura, é apenas desejo. Mentira, não é nada disso. É apenas um erro. 
O erro, em conceitos jurídicos, é um vício no processo de formação da vontade, em forma de noção falsa ou imperfeita sobre alguma coisa ou alguma pessoa. O meu erro é notificar perfeitos os detalhes cujas mancadas me escapam. É um vício no processo de cogitar, cogitar, cogitar. E vontade, muita vontade.
O erro no direito ainda subdivide-se em erro substancial ou essencial e erro acidental. 
A essência do meu erro é a minha imortal loucura de buscar aquilo que está mais longe, de buscar aquilo que nem em sonhos consigo ter plenamente. Nem em delírios, nem em exercícios de faculdades mentais completas ou não, complexas ou não, repletas ou não de agouros externos que invadem qualquer desejo ímpio de me pegar, por alguns segundinhos, errando em pensamento. Errando em pensamento com você.

5 comentários:

Um brasileiro disse...

ola. estive por aqui. leggal. apareça por la. abraços.

Anônimo disse...

chat tuga

Bruna Santana Oliveira disse...

Erra comigo?
Lindo, muito lindo, o seu texto.
Cada detalhe: os quimonos e suas cores (que são/eram essenciais na cultura do Japão, os teóricos mais famosos da Psicologia e Psicanálise. Cada detalhe se uniu pra formar essa maravilha!!!
Bom dia,

Bruna

Bruna Santana Oliveira disse...

Ah, só mais uma coisinha: tenho postagens novas. Dê uma conferida, e veja se gosta a ponto de seguir. ;)

Cristina disse...

certezasdeincertezas.blogspot.com