quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Coisa demais da conta

Ela sentava-se ao bar como se nada a impedisse de se imaginar uma mulher qualquer, não tão qualquer assim se pensar em formas comuns da figuração da palavra.
O que impede uma aspirante a atriz de aspirar qualquer forma de vida semi-humana ainda que distante da frívola realidade à qual estava acostumada ultimamente?
Ninguém ali precisava saber que ela era uma fracassada.
O que era o fracasso para quem está fora das coxias? O que era o fracasso para quem, há muito tempo, não cegava a visão ao cruzar luz com holofotes enquanto tentava procurar com olhos aflitos as pessoas mais ou menos importantes que poderiam estar por ali, aguardando o momento em que a mais ou menos íntima entraria em cena para mais ou menos atuar?
Ela sentava-se ao bar.
Pediria uma dose do barato St. Remy, que era doce demais ao paladar e enjoativo demais ao estômago ou inovaria com uma dose de Campari, coisa que sempre prometeu a si mesma prova um dia, mas nunca tinha “guts” suficientes?
_ Garçon! Uma Heineken, por favor.
Nada de Campari ou St. Remy. Seria o de sempre. Uma cerveja de classe acima à que pertencia e um cigarro barato que só tinha fama de ser caro.
O cigarro ficou para a próxima e a cerveja ficou para o tempo de boa vontade do garçon. Poderia durar uma eternidade ou... simplesmente uma eternidade menor.
Ela levantava-se do bar.
Uma eternidade era muita coisa. Mal podia esperar para fracassar novamente.

2 comentários:

DL3 disse...

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Anônimo disse...

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