sábado, 14 de agosto de 2010

por-te-eira

para cada folha que arde e queima
na brisa do vento suave
que trepita pirilampa pelo céu amarelo

para cada pedaço do bolo
com açúcar refinado salpicado por cima

para cada centímetro de pele
de cada centímetro de corpo
de cada centímetro de alma
de cada sentimento que cabe em palma

para cada e-mail não lido,
desafeto contido num lápis abandonado
que não faz mais nada

para cada passo na lua
(se é que existiram passos na lua)
e sonhador mirando a Terra

para cada ervilha, milho, lentilha
e outras comidinhas mais
que pequenas e discretas permeiam por aí

para cada grito abafado,
soluço engolido, lágrima cortada
em cada esquina esquecida
de uma vida embreagada

para cada palavra embutida
de pensamento extraviado
que encontra, no erro, a própria essência

para cada caso, um cado de coisa
e a permuta da permuta da permuta
que permite tudo, exceto
a parte que te pertence

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