quarta-feira, 21 de julho de 2010

Padecer


E quem é que vai dizer que todo esse pensamento não é coerente com a minha mais íntima realidade? Que o sentimento, hora ímpio, hora profano, hora inocente, hora mundano, não deve ser levado a sério como algo verdadeiro?
E quem é que vai dizer que tudo isso não passa de uma bobagem transcrita das sombras-não-mais--que-sombras da caverna de um mito qualquer?
E por que desprezar as sombras?

De conselhos eu me basto, de palavras eu me canso.
De ações vazias e reles poesias eu entendo, mas não me rendo a um verso qualquer.
Portanto, me faça o favor.

Pastar em terrenos vastos, vastos. Sim, eu sei que isso eu nunca fiz.
E quem é que diz
que a grama do vizinho é mais verde?
Quem é que diz
se o muro é alto e impede a visão de qualquer coisa além do palmo de terra anterior ao próprio portão?

Não quero passar em barro,
madeira, papel ou qualquer tolice,
aquilo que nem sequer minhas mãos conseguem tocar essa noite.

Os astros nunca estão ao meu lado, cansei de ser incompatível com as situações.
Não digo pessoas porque pessoas são mais complexas que situações.
Situações são essas coisas aí, que aparecem para você sem contexto, sem aviso prévio, sem salário mínimo e sem férias prolongadas.
Pessoas já chegam com carga no baú e tudo mais. Escolhe uma personalidade e leva uma bagagem de coisas de brinde.
Brinde é coisa de recalcado, né? Mas é bem isso mesmo.
Brinde.

E essas águas de talassociclo? Dessa vez, travestidas de oceano pacífico.
(Olhos pacíficos, coração em fúria.)
Elas retornam numa ressaca imensa, avassaladora. Águas de meio de ano.

Sou susceptível a vícios. Mas consigo analisar cada um deles da forma mais fria possível.
Existem vícios frios? Não creio.
Mas se a verdade é o desejo, podemos considerar algo do tipo.
Um vício, dois, três, mais alguns. Não sei se tenho para completar duas mãos, mas tenho o suficiente para me baquar bonito.

E sim, é bem assim.


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