quarta-feira, 10 de março de 2010

Descrição macabra de uma rainha.

(QUINTA-FEIRA, 10 DE JANEIRO DE 2008)


Descrição macabra de uma rainha


Amanhecia.
Os primeiros raios da alvorada tocavam o chão, atravessando a alta copa da árvore e iluminando o diferencial na paisagem que, não fosse por este detalhe, bucolicamente pueril.
De um dos galhos mais altos, se via uma corda grossa e forte, porém curta o bastante para que o corpo nela preso mantivesse uma boa distância do chão de terra batida. A cabeça pendia molemente e o cabelo loiro e comprido tapava a maior parte do rosto da moça. A parte visível mostrava uma pele púrpura e aparentemente fria.
Os lábios estavam alvos e a língua, como se tentando escapar do vil destino, saltada para fora.
A garota, de mais ou menos dezessete anos de idade, trajava um belo vestido de festa, cujos bordados e lantejoulas refletiam em prata o dourado do sol.
Todo o corpo que outrora lutara pela sobrevivência, agora inerte à mercê dos seres putreficantes.
Ao pé da árvore, bem próximo à raiz, haviam raspado a casca do tronco com a seguinte frase: "Quem é a rainha do baile agora?"

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