sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

olha a lua lá

hoje quando a lua me encarou por segundinhos
e logo se escondeu por trás de um mundo todo que não quis sair da frente,
discutia a última parte do roteiro
pensando artes marciais e desenhos japoneses
não reparei na lua, mas ela me reparou.

quando saí e ouvi ecos e vozes nostálgicas
de gente que fala demais e ouve de menos,
percebi mas não dei a ela a atenção necessária.
e a lua continuou lá,
brincando de esconder com os meus olhos estáticos e minha mente irrequieta.

quando cheguei em casa,
e gente ainda fazia barulho na minha cabeça,
peguei o meu violão, e, tocando notas que com certeza difusas,
brinquei de Jewel e Amy Winehouse.

my tears dry on their own

e as pessoas não paravam de gritar,
e mais alto eu cantava. e cantava. e cantava.
e quase arrebentei corda por corda do meu instrumento tão velhinho,
mas tão precioso para mim.

e mesmo depois que o silêncio conseguiu espaço
no meio do tempo escasso que ainda me restava,
me lembrei daquela lua. mas na minha janela ela não mais estava.

busquei um canto
em um canto qualquer.
mas queria que viessem me falar da lua.
ninguém veio me falar da lua.

até pensei em falar com a flor
mas a flor já se fechou e para mim ela não se abre mais.
até pensei em falar com a flor...

mas minha ousadia teve limites
e reconheci que o que me restava
era tentar me lembrar daqueles segundinhos em que a lua me encarou
e eu de relance vi,
apenas de relance vi,
a lua a qual desejei que elogiassem-na
para mim.
e elogiassem a mim também.

3 comentários:

felipe lacerda disse...

Qualquer elogio soaria como cantada. Não sou bom com isso. Mas a lua tava bonita, gorda, safada, toda lá, toda nua.
Reparei como sempre nos detalhes. e concordo com você. Tem gente ali que fala demais. E isso ecoa até o inferno quando tudo o que quero é um iolão mais ou menos afinado.
Tem certas coisas que me irrtam, me descrentam de trabalhar com pessoas teorcamente inteligente. E uma das principais razões é que gente inteligente demas tende a ouvir pouco.
Gosto do jeto que você ouve com inteligência.
Mas aí, da minha parte, já é falar demais.

Gostei do seu texto. Do seu blog. Mínimo, o suficiente, quase nada, só você, o texto e talvez algo além dos outdoors.
Mas não. Deixa pra lá. São só conceitos inacabados.
Te espero pro jantar, qualquer dia desses. VAmos comer a lua. Ela sempre me parece apetitosa.

Abraço.

Anônimo disse...

kkkkkkk
o Lacerdão tá atacando aqui também!

Anônimo disse...

ele, o felipe, ataca pra qlqer lado!!!!