sábado, 15 de agosto de 2009

o cinza

e se todas as cores do mundo resolvessem se mudar para um cantinho qualquer na Malásia?
tucanos teriam dois bicos e as coisas talvez fossem menos belas.
o mundo em preto-e-branco não conseguiria suprir a necessidade do artista, que necessitaria algo mais que o simples contraste para produzir algo qualquer.
então ele tiraria da cartola a próxima fantasia de forma a não permitir a sua decadência moral.
mas por que evitá-la?
enquanto alguns por aí se preocupam com o degradê outros se preocupam com a forma em sua forma mais pura. e a forma em sua forma mais pura dispensa elementos não sensíveis ao toque, não sensíveis a algo a mais que a visão.
por que cachorros abanam o rabo se não conseguem diferenciar o azul petróleo do magenta?
talvez não fossem tão alegres se antes tivessem o prazer de olhar um pôr-do-sol e brincar de adivinhar as cores no céu.
as cores deixam o cinza à margem. o cinza é marginalizado pelo brilho ofuscante das outras.
mas existem dias cinzas. e dias cinzas inspiram sensações que, se fosse o dia colorido, já estariam inspiradas. expiradas. desvairadas!
o cinza é a tela em branco. o cinza é a prévia do aflorar. o cinza é o que permite a todas as outras uma possibilidade de existência e não-existência, possibilidade essa nunca proporcionada por um splash qualquer de cores vívidas e alegres, que saltam aos olhos de forma ofuscante. taí o paradoxo.
a cor ofusca, o cinza permite.

quero antes a vida cinza, o contraste? deixa que eu proporciono.



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