domingo, 16 de agosto de 2009

o ataque das abelhas furiosas



na calmaria do dia sol-sem-sol.
o vento no cabelo, o vento no vestido.
palavras se cruzam em um nível médio. estou destreinada e mal consigo fazer uma página inteira de uma só tacada. mas ainda assim é algo. o desafio nacional acadêmico em nível quotidiano. elevates my soul
ao me desconcentrar por uns segundos, passo a observar uma agitação nos gatos pingados.
para que tanto desespero, minha gente? para que pano na cabeça, água e correria, gente do meu país?
elas estavam na caixa de som, elas estavam.
ao ouvir o trépido sambinha que me agradou os ouvidos saíram em fúria em direção aos seres grandes com pernas e braços que sacodem de forma desajeitada ao lado do corpo que anda.
sentada em uma mesa bem ao lado dos alvos, parecia que um repelente inodoro havia sido borifado sobre mim. cadê a ameaça?
dei sorte, mais uma de minhas alergias não me incomodariam no dia sol-sem-sol.
voltei a cruzar vocábulos.
precisamente ao pular para a última página, o apelo do não conseguir o médio e tentar o difícil, ouço o zumbizar tão conhecido e tão pouco agradável aos meus ouvidos.
após a calmaria voltar ao lugar, uma alma errante é vista por aí, brandando a Veja como quem diz 'independência ou morte' às margens plácidas do Ipiranga em um quadro bonito que tanto romantiza a história real.
saio correndo. correndo ao estilo Phoebe de correr. sacudindo os braços e pernas e o escambau.
como que penetrando em uma guarida segura, me adentro no vestiário feminino. imagino se a senhorita que me perseguia não se sentia à vontade em um toilette humano. enfim. funcionou.
ajeitei os óculos e retornei ao meu canto. vitoriosa.
novamente. e novamente volto a me agitar sobre os olhares curiosos daqueles que já tinham passado pela aflição, penso que eles deveriam estar comemorando a minha inclusão na condição de vítima no contexto. pouco os importa na verdade, e pouco me importa. mas o fato é que por três vezes eu fiz exatamente a mesma coisa. e o banheiro feminino continha a barreira invisível a qual as bárbaras não conseguiam ultrapassar.
insistente, persistente, ou simplesmente bastante cabeça dura, sempre retornava à antiga posição, imaginando que o raio não cairia duas (ou mais) vezes no mesmo lugar.
na quarta vez resolvi mudar minha estratégia. me sentei algumas mesas à direita, para observar o local de ataque e imaginar uma investida mais eficaz. lá permaneci, sossegada, cruzando palavras e mais palavras.
até que me convenci de que elas não estavam mais frequentando o meu lugar anterior e retornei. não vitoriosa, mas como norte-americano que volta do Vietnã. supostamente vitoriosa.
lá permaneci, durante um tempo aí. sem incômodos, sem perturbações.
quando percebo, milhares delas ao meu redor, em formação aérea de táticas guerrilheiras vindas da União Soviética.
corro o mais rápido que posso, mais Phoebe que nunca, mais temerosa que nunca.
may day, may day, may day!
atravessei o local e quando finalmente pensei em me jogar na água, a luz veio de forma tão clara que não pensei duas vezes: de volta à minha guarida.
elas não entraram!
todas elas ficaram do lado de fora, como se eu estivesse de figuinha.
esperei elas se cansarem e saí, gatuna.
a derrocada. não quero mais competir. Zeus aprisionou Chronos e os outros titãs.

to be or not to be?
too many bees.

to bee?
not to me.

fui embora. sem uma picada sequer.
estrada da vitória? prefiro a rota 66!

Um comentário:

Felipe Lacerda disse...

MAY DAY, MAY DAY, MAY DAY....!
surreal, marielle. Surreal.