quinta-feira, 18 de junho de 2009

a partir daí

Eles se olhavam daquela forma,
como quem oprime um desejo inacessível, insaciável, porém incontrolável.

mas o ar era sempre leve e não havia nenhum sentimento de culpa ou preocupação naquele momento.

as coisas simplesmente fluíam e, por fluírem, as coisas aconteciam

qual era de fato o sentimento mor?

não sei se isso pode ser considerado um sentimento, mas o que os movia era a vontade.

uma curiosa e espontânea vontade que surgiu como se surge a chuva de verão

eles sabiam que aquilo ia acabar por acontecer. era inevitável, fato.

mas pelo menos para ela aquilo tudo tinha um caráter completamente novo e faceiro,

como de criança que quebra o vidro da janela com a bola, e o faz mais ou menos sem querer.

mas ao mesmo tempo, ela queria. e ela queria que aquilo só acabasse quando ela quisesse.

ela o queria, mas queria mais ainda: aquilo, e para a vida toda

'a vida toda' talvez não parecesse tão longo e dramático não fossem tantos os momentos de monotonia que atualmente assolavam seu quotidiano

isso ela não queria, e disso tinha mais certeza quanto mais o tempo passava, rápido e lento, ao mesmo tempo, com aquele rapaz.

aquele rapaz, sem lenço e sem documento. apenas com um olhar fulminante e palavras tão adrianas que saíam de sua boca de maneira natural, sucinta e casual

ela queria que acontecesse novamente. mas se pensasse que aconteceria, talvez não quisesse tanto.

ela conseguiu ser a raposa.

e ela conseguiu tudo o que queria, a partir daí.

ela viu que poderia escrever suas falas e interpretá-las como quisesse. ela viu que certas pessoas possuíam o timing exato para fazer com que seus filmes ultra-utópicos se tornassem parecidos com a realidade. ou vice-versa.

ela viu que a vida não era lá aquelas coisas, não merecia ser tratada com a cautela excessiva com a qual se trata algo que é importante. e exatamente por o ser, mais do que todas as outras coisas, exigia dela uma dedicação completa e sincera para com o momento.

o momento foi a razão de sua vida. a partir daí.

2 comentários:

Luma disse...

devo dizer que a compreensão completa desse texto depende de um conhecimento previo da autora! Mas que por eu ser vc eu te entendo a cada virgula! PERFEITO! as always! te amooo!

Fernanda disse...

ai ai, tao assim, realidade. digo, o que antes tava tao fora, agora é fato. estranho ne? e casual.. como tudo que flui.. e fluiu rapido, de uma hora pra outra, quando essa era a ultima coisa que podia acontecer! antes e depois do fato em si. acho que vc entendeu (?). hahaha só voce mesmo marielle. aposta na loteria com os numeros de Lost agora. quem sabe o Jack nao vem entregar o premio? - que com certeza, já é seu.